Está
comprovado: alguns alimentos têm o poder de aumentar os níveis de serotonina e
vitamina B no organismo e melhorar o humor. Saiba quais são e invista neles
Muitas
pessoas não sabem, mas uma dieta rica em doces, gordura saturada, cereais
refinados, ou seja, alimentos preparados com farinha branca margarina, possuem
um grande potencial de serem pró-inflamatórios – ou seja aumentam a
probabilidade de o organismo desenvolver doenças inflamatórias. Mas não é só
isso. A ciência também explica que esses alimentos são associados à piora de
sintomas depressivos e de ansiedade. Logo, para manter a saúde em dia, a dieta
tem que ser justamente contrária a isso. “O ideal é investir numa alimentação
com um perfil anti-inflamatório, bastante frutas, legumes, verduras, cereais
integrais, azeite de oliva, carnes magras, e em especial peixes de águas frias,
como salmão, atum e sardinha”, afirma a nutricionista Carolina de Quadros
Camargo, mestre e doutora em Nutrição pela Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC) e professora do curso de Nutrição na Universidade Positivo
(UP).
Ela
sugere uma dieta parecida com a mediterrânea, só que, neste caso,
acrescentam-se também alimentos como cacau, chá verde, gengibre, cúrcuma e
alecrim. “Todos eles têm um potencial de melhorar transtornos depressivos e de
ansiedade e podem fazer parte do cardápio, seja na forma de temperos ou como o
chá verde, que pode ser tomado ao longo do dia, entre as refeições, menos no
período noturno, por conter cafeína”, explica.
A
professora Carolina também cita a importância dos alimentos ricos em ácidos
graxos ômega 3 na alimentação. “Eles teriam uma potencialidade de melhorar os
aspectos cognitivos e transtornos de humor. São encontrados no salmão, na
sardinha e no atum”, orienta. Segundo ela, a vitamina B12 também não pode ficar
fora dessa lista de nutrientes, já que, como o ômega 3, podem trazer benefícios
cognitivos. “Eles estão presentes nos alimentos de origem animal, mas deve-se
dar preferência ao menor teor de gordura, como leite e derivados desnatados e
carnes magras.”
Quanto mais frutas no prato, menor risco de depressão
O
fato de boa parte dos alimentos que dão a sensação de felicidade vir das frutas
tem uma base científica. Um estudo publicado no British Journal of Nutrition
entrevistou 428 adultos e analisou a relação entre o consumo de frutas,
legumes, lanches doces e salgados e a saúde psicológica. A pesquisa mostrou que
quanto mais frequente o consumo de frutas, menor o risco de depressão.
As
descobertas dos pesquisadores sugerem que a frequência com que se come frutas é
mais importante para a saúde psicológica que a quantidade total que é consumida
durante uma semana típica. O estudo também descobriu que as pessoas que comem
lanches salgados, como batatas fritas, que são pobres em nutrientes e ricos em
gorduras saturadas, são mais propensas a relatar maiores níveis de ansiedade.
Depois de levar em consideração fatores demográficos e de estilo de vida, como
idade, saúde geral e exercícios, a pesquisa descobriu que tanto frutas ricas em
nutrientes quanto lanches salgados pobres em nutrientes pareciam estar ligados
à saúde psicológica. Eles também descobriram que não havia associação direta
entre comer vegetais e saúde psicológica. “A verdade é que os nutrientes
encontrados em alimentos saudáveis trabalham para fazer com que o cérebro
produza serotonina, conhecido como o hormônio do bem-estar. O triptofano,
aminoácido essencial para a síntese de serotonina, está presente em muitos
alimentos, entre eles nas frutas como a banana, o abacate e o coco”, explica a
professora.
Precursores da felicidade
Mas
não só essas frutas estão ligadas à felicidade. Outros produtos muito
apreciados e conhecidos dos brasileiros como o cacau, o café e os alimentos
fermentados atuam no nosso humor. Veja abaixo o porquê de cada um deles, de
acordo com os estudos publicados pelo site americano CTNET e validados pela
professora de nutrição da Universidade Positivo, Carolina de Quadros
Camargo:
Abacate:
fruta cremosa, de sabor suave, é rica em gordura monoinsaturada, que tem um
potencial anti-inflamatório e repleta de nutrientes, incluindo a colina, que o
organismo usa para regular o sistema nervoso e o humor. Um estudo de 2020
descobriu que as gorduras saudáveis do abacate estão associadas à diminuição da
ansiedade nas mulheres. Outro grande motivo é que ele é rico em vitamina B, que
tem sido associada a níveis mais baixos de estresse.
Alimentos
fermentados: kefir, kombucha, iogurte, ajudam a manter um intestino saudável e
podem ajudar a melhorar o humor. O processo de fermentação cria probióticos,
que, por sua vez, sustentam bactérias saudáveis no intestino. Até 90% da
serotonina produzida pelo organismo é criada a partir de células intestinais.
Logo, consumir alimentos fermentados promove uma melhor produção de serotonina.
Banana:
ela sozinha não tem uma quantidade suficiente de triptofano capaz de produzir a
quantidade de serotonina adequada no cérebro a ponto de atravessar a barreira
hematoencefálica. Mas pode desempenhar um papel crucial na regulação do humor
de maneira mais indireta, já que o organismo precisa de vitamina B6 para criar
serotonina – e as bananas são especialmente ricas nesse nutriente. Uma banana
média contém 0,4mg de vitamina B6, ou seja, 25% da ingestão diária recomendada.
Café:
uma meta-análise de 2016 concluiu que o consumo de café, com moderação, está
significativamente associado à diminuição do risco de depressão. Um estudo do
National Institute of Health (EUA) avaliou que quem toma 4 xícaras de café
diariamente – tanto com cafeína quanto descafeinado – tem 10% menos chance de
sofrer de depressão.
Chocolate
amargo: de preferência acima de 70% de cacau, tem um perfil anti-inflamatório.
Mas uma revisão sistemática descobriu que o chocolate também pode atuar
positivamente no humor. E existem três componentes principais encontrados nele
que estão associados à sensação de felicidade: triptofano, teobromina e
feniletilamina. O primeiro, o triptofano é um aminoácido que o cérebro usa para
produzir serotonina; a teobromina é um estimulante que pode melhorar o humor; e
a feniletilamina é outro aminoácido usado pelo organismo para produzir
dopamina, atuando como antidepressivo.
Coco:
é uma fruta rica em gorduras monoinsaturadas, chamadas de triglicerídeos de
cadeia média, que podem ajudar a aumentar a energia ao mesmo tempo que auxiliam
no controle do colesterol. Um estudo de 2017 em animais descobriu ainda que os
triglicerídeos de cadeia média do leite de coco poderiam reduzir a ansiedade.
Frutas
vermelhas: as famosas berries são ricas em antioxidantes, mais especificamente
em flavonoides, que podem reduzir os sintomas de depressão. Um estudo em que os
participantes receberam suco de mirtilo mostrou resultados promissores que
também vincularam a ingestão da fruta ao declínio cognitivo mais lento
associado ao envelhecimento.
via assessoria


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